terça-feira, 8 de outubro de 2013

SEMENTES

O nosso erro é quase sempre priorizar o momento – gostamos das soluções imediatas, esquecemos a obviedade declarada por Gandhi: “O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente”. Uma virtude que considero capital se chama paciência, pena que essa está se desvanecendo em nosso tempo. Em todos os meios, a palavra de ordem é resultado, e ela não está sozinha, sua fiel companheira se chama cobrança. É claro que eu não sou tolo a ponto de pensar que na vida não devemos ter objetivos, o problema é o objetivo sem a trajetória, a conquista sem luta, essas irracionalidades me incomodam. Fico extremamente chateado quando, por exemplo, alguém insiste numa vantagem que não tem méritos para receber. Penso que os “atrasados” do campo têm muito para nos ensinar, para eles é muito clara a relação semear-esperar-colher. Nós, os “inteligentes”, o que temos feito com as sementes que a vida nos proporciona? Além de não plantar, acabamos por comê-las, pois a fome é nossa necessidade imediata. A possibilidade de uma linda planta com inúmeros frutos e milhares de novas sementes que se dane. Afinal de contas, em uma sociedade de esfomeados, o consumo não pode parar!

M.V.A.

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