A religião se torna um demônio quando, usando de discursos
que amaldiçoam, fomenta o medo nas pessoas;
A religião se torna um demônio quando, ao invés de promover o
perdão, alimenta a culpa pelos erros cometidos e, às vezes, pelos que nem foram
cometidos;
A religião se torna um demônio quando, para encher os
templos e alimentar a vaidade dos líderes, aprisiona os fiéis na estrutura;
A religião se torna um demônio quando incentiva a ganância,
a necessidade de levar vantagem em tudo e contra todos;
A religião se torna um demônio quando torna deuses aqueles
que deveriam ter a simples missão de apontar o caminho;
A religião se torna um demônio quando afasta as pessoas de
seus familiares e amigos, quando, ao invés de agregar, promove desavença entre
os pares;
A religião se torna um demônio quando os cargos estão acima
dos encargos;
A religião se torna um demônio quando as pessoas se julgam
mais especiais do que os demais, isto é, quando faz alguns se sentirem os únicos
candidatos a povoar o céu;
A religião se torna um demônio quando a preocupação é só
receber as bençãos e, não mais, abençoar;
A religião se torna um demônio quando, ao invés de produzir
inquietação mediante as injustiças do mundo, reproduz acomodados e, porque não
dizer, alienados;
A religião se torna um demônio quando deixa de ser um
caminho e passa a ser um fim em si mesma;
A religião se torna
um demônio quando...
Cansei! Afinal de contas, a religião como um demônio é peso
e não alívio, prisão, ao invés de liberdade – e isso eu estou fora.
M.V.A.

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