“Certa vez, o Rebe de kaminker
decidiu dedicar-se um dia inteiro a recitar salmos. À tardezinha, um mensageiro
veio chamá-lo, pois seu mentor, o maguid de Tsidnov, queria vê-lo. O Rebe falou
que iria tão logo terminasse, mas o mensageiro voltou dizendo que o maguid
insistia que ele fosse de imediato. Assim que chegou, o maguid perguntou-lhe
por que tinha demorado tanto. O Rebe explicou que estava recitando os salmos. O
maguid disse então que havia intimado o Rebe para coletar dinheiro para alguém
que passava por necessidades. Continuou: ‘Salmos podem ser entoados por anjos,
mas apenas seres humanos podem ajudar os pobres. A caridade é mais importante
do que recitar os Salmos, porque anjos não podem fazer caridade’.”
Conto chassídico
Em tempos do politicamente
correto, o religiosamente correto parece estar também conquistando seus adeptos.
Digo isso porque são cada vez mais frequentes os discursos dotados de uma pseudo-espiritualidade,
os quais conseguem encontrar repouso nas mentes menos preparadas. Entretanto, a
história acima deixa claro o que muitos parecem não querer perceber: atitudes
valem mais que palavras. Note que o Rebe, por ingenuidade ou por necessidade de
impressionar (o que não vem ao caso), acaba tomando uma grande lição, a saber,
a de entender que, na hierarquia da espiritualidade, as ações estão acima das
verbalizações. Ademais, o maguid exclarece que é a capacidade de fazer o bem
que torna o ser humano tão distinto, e é essa potencialidade que deve ser
explorada. Foi Madre Teresa quem entendeu muito bem tudo isso.
M.V.A.

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