quarta-feira, 30 de outubro de 2013

POSSÍVEIS PATOLOGIAS DO CONHECIMENTO



        Já dizia o Eclesiastes que “quanto maior a sabedoria, maior o sofrimento; quanto maior o conhecimento, maior a tristeza”(Ec 1:18). Simples, o desenvolvimento intelectual corre o risco de ser doloroso. Os judeus contam a seguinte história: quatro sábios penetraram no pomar das interpretações. Como resultado desta aventura, um deles conseguiu sair ileso, um morreu, outro enlouqueceu e o último tornou-se um herege. O que isso quer dizer? Aquele que saiu ileso representa quem absorve o conhecimento e, consequentemente, amplia o seu saber, nada mais; o indivíduo que perde a vida reflete a situação onde a conexão entre o conhecimento adquirido e a realidade é perdida; a loucura é o estado em que as respostam não respondem, ou seja, os frutos não são comestíveis; a heresia, por sua vez, é manifesta em frutos aparentemente comestíveis, porém, podres, o que ocasiona uma intoxicação. Sendo assim, para evitarmos possíveis patologias e sairmos ilesos, precisamos, no mínimo, ter consciência dos riscos – eles são iminentes.  

M.V.A.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

QUANDO A RELIGIÃO É UMA BÊNÇÃO? *



A religião é uma bênção quando incentiva as pessoas a superar limites, a alçar voos até então inimagináveis;
A religião é uma bênção quando cura as feridas, aquelas que só podem ser cicatrizadas com os curativos feitos de boas palavras;
A religião é uma bênção quando acredita no desacreditado, quando dá vez para o marginalizado;
A religião é uma bênção quando supera as disparidades econômicas, isto é, quando se constitui num espaço de aceitação;
A religião é uma bênção quando, respeitando as diferentes visões de mundo, promove a tolerância, não o sectarismo;
A religião é uma bênção quando, sem maquinações e, principalmente, sem manipulações, gera consenso;
A religião é uma bênção quando, através da poderosa ferramenta do perdão, consegue agregar, reaproximar os que se gostam;
A religião é uma bênção quando trabalha para tornar o mundo, senão melhor, pelo menos, suportável;
A religião é uma bênção quando não vê barreiras para apoiar os que estão em estado de vulnerabilidade social;
A religião é uma bênção quando forma um exército de heróis, os quais entendem que há uma causa maior do que seus próprios caprichos;
A religião é uma bênção quando diz não à alienação e incentiva a reflexão;
A religião é uma bênção quando confronta a lógica maquiavélica e propõe a justificação do fim pelos meios, ou seja, se importa com o caminho;
A religião é uma bênção quando atribui sentido de existência ao ser humano;
A religião é uma bênção quando faz do amor sua maior proposta.
A religião pode ser uma benção de inúmeras outras formas, basta uma boa dose de interesse, mas, para isso, é preciso, antes de tudo, ser uma bênção.

M.V.A.
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*Essa reflexão é resultado do questionamento de uma colega de faculdade sobre a função da religião no mundo.    

ESTUDAR


domingo, 27 de outubro de 2013

SALMO 20 EM PARÁFRASE

Há períodos da vida em que o que é planejado parece não dar certo, em que os nossos anseios mais profundos e os nossos sonhos, os mais íntimos, parecem ter sido arrancados. Nesses momentos, que o nome de Jesus seja a nossa proteção de todo o mal.
            Que Deus possa, na profundeza da nossa alma, gerar novas possibilidades e que adorando o Seu nome, a todo o instante, nós possamos nos animar, limpar nossos pensamentos e, acima de tudo, resistir aos maus caminhos que tanto nos perseguem.
            Que na lembrança de Deus esteja presente todo o nosso empenho em servi-Lo. Que Ele possa lembrar-se dos nossos sacrifícios de fidelidade, como também o nosso trabalho em honrar o Seu nome.
            Fazendo da intenção do nosso coração algo puro, Ele decida nos presentear com um futuro promissor e de paz. Dessa forma, poderemos nos alegrar, não apenas com o próprio sucesso, mas com o sucesso de todos. Assim, festejaremos as bênçãos vindas dos céus como a chuva que alcança a todos, sem distinção. Pois, almejamos um coração que celebre o bem do Senhor sobre o futuro de todo o Seu povo.
            Isso tudo, nós pedimos porque confiamos num Deus que, além de zelar, aposta nos seus filhos. Mas, também, cremos que, do Seu lugar santo, Ele está atento ao rumo que a vida de cada um está tomando. Pois, não foi em vão que Ele enviou seu bem mais precioso em favor de todos.
            O fato é que Ele sabe que temos uma grande diferença: enquanto os incrédulos confiam e investem nas suas próprias forças, o que os fazem esperar nas possibilidades oriundas deste mundo, nós nos empenhamos em encontrar o que é a vontade d’Ele para nós.
            Sendo assim, toda vez que nos entristecermos e nos sentirmos desamparados, Ele, que sempre se levantou em favor dos seus filhos, nos fará continuar – o que, claro, não é um recurso dos que não depositam sua confiança nele.
            Enfim, que o Grande Deus mantenha firme as nossas estruturas e não deixe de escutar as nossas súplicas, pois, só Ele é o nosso sustento e continuará sendo, para todo o sempre.   

M.V.A. (adaptado do Rei Davi)

AUTENTICIDADE DA FÉ


sábado, 26 de outubro de 2013

QUANDO A RELIGIÃO SE TORNA UM DEMÔNIO?


A religião se torna um demônio quando, usando de discursos que amaldiçoam, fomenta o medo nas pessoas;
A religião se torna um demônio quando, ao invés de promover o perdão, alimenta a culpa pelos erros cometidos e, às vezes, pelos que nem foram cometidos;
A religião se torna um demônio quando, para encher os templos e alimentar a vaidade dos líderes, aprisiona os fiéis na estrutura;
A religião se torna um demônio quando incentiva a ganância, a necessidade de levar vantagem em tudo e contra todos;
A religião se torna um demônio quando torna deuses aqueles que deveriam ter a simples missão de apontar o caminho;
A religião se torna um demônio quando afasta as pessoas de seus familiares e amigos, quando, ao invés de agregar, promove desavença entre os pares;
A religião se torna um demônio quando os cargos estão acima dos encargos;
A religião se torna um demônio quando as pessoas se julgam mais especiais do que os demais, isto é, quando faz alguns se sentirem os únicos candidatos a povoar o céu;
A religião se torna um demônio quando a preocupação é só receber as bençãos e, não mais, abençoar;
A religião se torna um demônio quando, ao invés de produzir inquietação mediante as injustiças do mundo, reproduz acomodados e, porque não dizer, alienados;
A religião se torna um demônio quando deixa de ser um caminho e passa a ser um fim em si mesma;
 A religião se torna um demônio quando...
Cansei! Afinal de contas, a religião como um demônio é peso e não alívio, prisão, ao invés de liberdade – e isso eu estou fora.

M.V.A.

O VALOR DO SER HUMANO

Os Rabinos do Reino Unido contam a inspiradora história de Sir Moses Montefiore, um judeu do século XIX, que vivia em Londres.
Relata-se que certa vez alguém lhe perguntou: “Sir Moses, quanto o senhor vale? Moses pensou um pouco e mencionou uma cifra. A pessoa disse: “Não pode estar correto. É um grande montante, mas não o suficiente. Pelos meus cálculos, o senhor deve valer 10 vezes mais.”
A resposta que Sir Moses deu foi sábia e comovente. “Você não me perguntou quanto eu possuo. Você me perguntou quanto eu valho. Calculei o quanto eu doei à caridade este ano e foi esse valor que lhe dei. Veja,” ele disse, “nós valemos o quanto nos dispomos a ajudar os outros.”
Detalhe: Sir Moses se aposentou aos 40 anos, dedicando o resto de sua vida a ajudar o povo judeu espalhado pelo mundo – ele viveu até os 101 anos. 

História contada no livro Celebrando a Vida de Jonathan Sacks