Fazer o bem, muitas vezes, não é,
necessariamente, fazer o correto. Aliás, podemos dizer que, em alguns casos, um
está em oposição ao outro. Por exemplo: é possível obedecer sem ser leal e,
também, ser leal sem obedecer. O que nos
leva à importante constatação de que o certo e o errado são situações relativas
e não absolutas. Por séculos a cristandade tem ignorado essa concepção, mesmo
sem ter razões para isso. Pois, são inúmeros os textos bíblicos, principalmente
nos evangelhos, que remetem para essa percepção relativizada das ações – um bom
exemplo é a discussão do sábado (Lc. 14:1-6). Nesse evento, para realizar o
bem, Jesus desafia o correto. Outra boa reflexão é desenvolvida por Paulo em
Romanos 14:05, onde são relativizados os processos de consciência. Ou seja,
quando bem examinadas, esses textos revelam a intenção, por parte de Jesus e
seus discípulos, de superar o dogmatismo religioso. Na verdade, se usássemos os
termos weberianos, poderíamos dizer que, na prática, Jesus e Paulo estavam
voltados à ética da responsabilidade em detrimento da ética da convicção. Mais
que isso, era instigado, como diz Leonardo Boff, o desenvolvimento de uma razão
sensível. Mas, na prática, qual é, então, o caminho? Ponderar é a palavra de
ordem, isto é, na estrada para o equilíbrio é importante evitar as ladeiras dos
extremos, visto que há momentos em que elas estão escondidas entre as flores.
M.V.A.
M.V.A.

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