sábado, 28 de setembro de 2013

O BEM E O CORRETO



          Fazer o bem, muitas vezes, não é, necessariamente, fazer o correto. Aliás, podemos dizer que, em alguns casos, um está em oposição ao outro. Por exemplo: é possível obedecer sem ser leal e, também, ser leal sem obedecer. O que nos leva à importante constatação de que o certo e o errado são situações relativas e não absolutas. Por séculos a cristandade tem ignorado essa concepção, mesmo sem ter razões para isso. Pois, são inúmeros os textos bíblicos, principalmente nos evangelhos, que remetem para essa percepção relativizada das ações – um bom exemplo é a discussão do sábado (Lc. 14:1-6). Nesse evento, para realizar o bem, Jesus desafia o correto. Outra boa reflexão é desenvolvida por Paulo em Romanos 14:05, onde são relativizados os processos de consciência. Ou seja, quando bem examinadas, esses textos revelam a intenção, por parte de Jesus e seus discípulos, de superar o dogmatismo religioso. Na verdade, se usássemos os termos weberianos, poderíamos dizer que, na prática, Jesus e Paulo estavam voltados à ética da responsabilidade em detrimento da ética da convicção. Mais que isso, era instigado, como diz Leonardo Boff, o desenvolvimento de uma razão sensível. Mas, na prática, qual é, então, o caminho? Ponderar é a palavra de ordem, isto é, na estrada para o equilíbrio é importante evitar as ladeiras dos extremos, visto que há momentos em que elas estão escondidas entre as flores.

M.V.A.

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